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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Mapa de anatomia: o Olho


O Olho é uma espécie de globo,
é um pequeno planeta
com pinturas do lado de fora.
Muitas pinturas:
azuis, verdes, amarelas.
É um globo brilhante:
parece de cristal,
é como um aquário com plantas
finamente desenhadas: algas, sargaços,
miniaturas marinhas, areias, rochas, naufrágios e peixes de ouro.
Mas por dentro há outras pinturas,
que não se vêem:
umas são imagens do mundo,
outras são inventadas.
O Olho é um teatro por dentro.
E às vezes, sejam atores, sejam cenas,
e às vezes, sejam imagens, sejam ausências,
formam, no Olho, lágrimas.

Cecília Meirelles. Poesia Completa,vol.4

segunda-feira, 9 de maio de 2011

um poema sobre o silêncio

Vi hoje e gostei tanto do poema que ele declama... muito bom ouvir no idioma original. Sonoridade saborosa.

Gosto quando calas porque ficas como distante
e estás como quem se queixa, borboleta em murmúrio
e me ouves de longe e minha voz não te alcança
deixa que eu me cale com o silêncio teu
gosto quando calas porque ficas como ausente
e me ouves de longe, e minha voz não te toca
parece que teus olhos tivessem voado
e parece que um beijo fechasse tua boca
como todas as coisas estão cheias de minh'alma
emerges das coisas, cheias de alma minha
borboleta de sonho, pareces minh'alma
e pareces a palavra
melancolia

segunda-feira, 7 de junho de 2010

um do leminski

         Vim pelo caminho difícil,

a linha que nunca termina,

      a linha bate na pedra,

a palavra quebra uma esquina,

       mínima linha vazia,

a linha, uma vida inteira,

       palavra, palavra minha.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

eu quero
a aceitação dos sorrisos estrangeiros
entusiasmos percebidos
o chuvisco na noite com frio
chuva e terra
eu chuva e terra
indivisível na escuridão da vizinhança
neste noturno tédio
e as notas miúdas de pacificação
eu quero
sóis distantes do medo


Esses momentos de vida
raros e preciosos - é preciso
permanecer,com eles traço
em direção ao eterno,posto
que são breves e intocáveis.
Imobilidade. Estou aprendendo
o que esquecerei até o próximo.

(Ana Cristina César. em: Antigos e Soltos - poemas e prosas da pasta rosa. Organização: Viviana Bosi)  

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